NOTÍCIAS - Saúde Doente

Dor da falta de médicos anestesistas

11/03/2010

Defasagem faz com que cirurgias eletivas no Hospital Regional de São José sejam adiadas
Faltam médicos anestesistas no Hospital Regional de São José. Mas o problema que preocupa a direção vai muito além do que a defasagem do quadro clínico: com menos da metade dos profissionais, a casa de saúde já perdeu a conta de quantas cirurgias eletivas teve que desmarcar. Há quem esteja esperando por vaga desde o fim do ano passado.

Hoje, o hospital conta com 27 médicos anestesistas, o que é insuficiente. Segundo o Programa de Médicos Residentes do Hospital, seriam necessários, no mínimo, 56 profissionais. Porém, a grande ocorrência de atendimentos de emergência – quando o paciente chega em estado grave e deve ser operado às pressas – acaba tirando os profissionais das cirurgias eletivas. Enquanto isso, os demais cirurgiões não conseguem atender quem espera na fila, e centenas de outras pessoas que necessitam de uma cirurgia aguardam na fila.

– O Regional atende toda essa demanda de baleados e acidentados da BR-101. É um trabalho diário, de 24 horas, que nunca tem fim. Quando achamos que vamos conseguir atender os nossos pacientes antigos, aparece um novo paciente correndo risco de vida – lamenta o diretor do hospital, Jorge Coelho.

Caso foi parar no Ministério Público

A fila para uma cirurgia – muitas vezes simples e rápida de ser feita – não sai do lugar há pelo menos seis meses. Quando anda, prioriza os casos mais graves. Em todo o mês de fevereiro, por exemplo, foram feitas apenas três cirurgias eletivas. Há dias em que as seis salas de cirurgia ficam paradas, sem atendimento algum. Se há cinco anos se fazia 20 cirurgias por dia; hoje se faz apenas 10.

Denunciado pelos médicos residentes da casa de saúde, o caso foi parar até no Ministério Público. No fim da tarde de ontem, o ofício da denúncia foi enviado à 33ª promotoria de Justiça, de Florianópolis. Hoje, o órgão deve tomar as primeiras providências: notificar a Secretaria do Estado da Saúde exigindo esclarecimentos sobre a falta de médicos.

No começo, não passava de um grave cálculo renal. Mas o pintor Ivan Germano Miguel, 57 anos, jamais imaginou que o problema que o manteria “preso” dentro do hospital nada teria a ver com isso. No início de dezembro, durante fortes dores nos rins, Ivan caiu e bateu o cotovelo no piso do banheiro de casa. Três dias depois, o braço começou a inchar. Ele foi operado dessa infecção e, para evitar que se alastrasse, os médicos retiraram – temporariamente – toda a pele e o tecido subcutâneo do braço. Porém, ele está assim até hoje, mais de três meses depois. Sem previsão de nova cirurgia para recolocar a pele, Ivan, aos poucos, está perdendo o movimento do cotovelo e do braço. Já emagreceu quase 15 quilos e perdeu a esperança de voltar logo para casa.

– Fico aqui deitado vendo TV. Às vezes, dou uma caminhada pelo corredor. Mas sinto falta das pequenas coisas, como um almoço em família aos domingos – conta, chorando.

Deitado no leito do Hospital Regional há quase duas semanas, o encanador Manoel dos Passos Simão, 51 anos, lamenta ter que ser realista: “Estou esperando pela morte”. Há quase um ano, ele descobriu um câncer no esôfago, mas a cirurgia que devia ter sido realizada logo no início, só pôde ser feita há dois meses, o que já era considerado tarde.

– Já estou morto – repete a cada minuto. – Não sei se aguento até domingo, quando faço 52 anos.

Por causa da falta de ar e das fortes dores no peito, Manoel não recebe alta e, por isso, não tem previsão de quando poderá voltar pra casa. Definhando na cama do hospital, ele já emagreceu 10 quilos.

Fonte: Diário Catarinense
« SETEMBRO 2010 »
S T Q Q S S D
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 1 2 3

Para receber o informativo digital do Sindsaúde, preencha os campos abaixos:
Nome
Email
Cidade