Polícia deflagra operação contra esquema bilionário de corrupção em Organização Social gestora de hospitais em Santa Catarina e outros estados
A Organização Social (OS) Associação Mahatma Gandhi, responsável pela gestão de unidades de saúde nos municípios catarinenses de São José, Palhoça, Mafra e Itapoá, foi alvo da Operação Duas Caras, do Ministério Público de São Paulo. A ação apura um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo recursos públicos da saúde. O valor suspeito de desvio ultrapassa R$1,6 bilhões.
A investigação aponta que a OS mantinha uma “contabilidade paralela” e contratava empresas do próprio grupo para emitir notas fiscais frias e superfaturadas, usando o dinheiro para ampliar o lobby político e garantir novos contratos de gestão.
Em municípios de SC como São José, o SindSaúde já vinha alertando a prefeitura e construindo mobilizações e ações judiciais contra a OS. Os motivos eram atrasos salariais e falta do reajuste aprovado na Convenção Coletiva da Grande Florianópolis. Situações parecidas já ocorreram em 2022, também com deflagração de paralisações e greve.
A Justiça proibiu a rescisão dos contratos com municípios por 30 dias para evitar paralisação dos serviços e prejuízos aos trabalhadores.
Além de Santa Catarina, a OS também atua em unidades hospitalares e serviços de saúde em outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Foram cumpridos mais de 100 mandados em diversas regiões. Em SC, a ação resultou na apreensão de R$91 mil em espécie, moedas estrangeiras, celulares e computadores, além de uma prisão.
O caso evidencia um problema estrutural: O modelo das OS é vendido como “mais eficiente”, mas, na prática, inúmeros casos já mostraram que ele transfere dinheiro público para interesses privados sem melhorias para a população e trabalhadores.
O resultado é um SUS cada vez mais fragilizado e dependente de contratos caros, que drenam recursos que poderiam ser investidos diretamente em hospitais e equipes próprias. Enquanto as administrações públicas se eximem da responsabilidade direta sobre os serviços e abrem espaço para esse tipo de contrato, pacientes e profissionais sofrem com a precarização.
O SindSaúde continuará acompanhando o caso para garantir o direito dos trabalhadores.